II domingo depois do Natal

Filippo Rossi, Colori del silenzio, tecnica mista su polistirene, 2013
Filippo Rossi, Colores do silêncio, técnica mista sobre poliestireno, 2013
5 janeiro 2014
Reflexões sobre o Evangelho
de
ENZO BIANCHI
Tudo aquilo que possamos saber de Deus devemos aprendê-lo da humanidade de Jesus: de como nasceu, de como viveu e de como morreu 

  5 janeiro 2014

de ENZO BIANCHI

Ano A
João 1,1-18

 

 

 

Neste tempo de Natal, a Igreja medita e contempla de formas diversas o mistério da Encarnação de Deus no homem Jesus, filho de Maria. No Natal contemplando o seu nascimento em Belém; na Oitava do Natal recordando a circuncisão de Jesus e a imposição do Nome dado pelo anjo ao filho que Maria concebera pelo poder do Espírito Santo; no primeiro domingo depois do Natal celebrando a família que O acolheu. Hoje, segundo domingo depois do Natal, a Igreja faz-nos ouvir a leitura de uma outra Encarnação através de um outro Evangelho, o de João.

Na fé da igreja expressa pelo quarto Evangelista a afirmação central é a seguinte: "E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco". Mas quando se contempla a Palavra que se fez Homem, que se fez Jesus, vamos até ao princípio, antes mesmo da criação do mundo, à vida do próprio Deus. Eis então um verdadeiro começo, aquele "No princípio" com o qual se abre o primeiro livro da Bíblia, os Génesis: "No princípio Deus criou..." (Gen 1,1). O "No Princípio" de João vai ainda mais longe, mas não no tempo. "No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus." 

É uma visão que dá vertigens, que compreendemos pelas alusões feitas e graças à (re)velação, ao "levantar do véu" sobre o mistério, por parte de Deus. A Palavra de Deus era já no princípio orientada para Deus, na sua intimidade, e era Deus; é a vida divina em Deus, um arremesso de vida e de amor, uma dinâmica de vida e de amor que sentiu necessidade de sair de si mesma, se bem que toda a criação tenha sido feita por meio da Palavra criadora.